Visita à Quinta da Regaleira
PERCURSO DA ÁGUA NA QINTA DA REGALEIRA
Introdução
Como quinta de recreio compatibiliza os aspectos tradicionais das propriedades que se desenvolveram em Portugal a partir de finais do séc. XV, e que se demarcaram como espaços aprazíveis de composição erudita, em função das correntes estilísticas predominantes de cada época. A quinta da Regaleira, documentada desde finais do século XVII, integra residência apalaçada, anexos diversos, cocheiras, estufas e uma infinidade de arquitecturas de jardim e elementos decorativos que a individualizam não contexto nacional. Agrega, tal como as restantes quintas jardins, horta, pomar e mata, cuja composição se sujeita a percursos pré-concebidos.
Esta composição de autor, construída em torno da vontade e programa de Augusto Carvalho Monteiro e projectos de Manini, distingue-se como obra de arte que concilia valores de um romantismo tardio com soluções inovadoras, resultantes de uma vasta experimentação cenãográfica e técnica.
A precipitação pluvial, de distribuição regular por toda a Serra de Sintra, associada à natureza permeável da rocha granítica (essencialmente das camadas meteorizadas) promove processos de infiltração e concentração das águas que determinam a abundância de fontes e nascentes. O sistema de captação, condução e armazenamento de águas, muito engenhoso, obedece à concepção da propriedade, mas foi decerto determinada pelo aproveitamento dos antigos percursos de água.
Captação - Dentro do perímetro da propriedade da Regaleira existem 10 minas com água nativa que abastecem sobretudo as necessidades de água potável e rega dos jardins junto às construções. Extramuros ficam o Aqueduto de Vale dos Anjos (747m) e o Aqueduto da Serra (5154m), com um total de 18 minas.
Armazenamento e distribuição - A recolha e a retenção de água compreende as condutas e cisternas necessárias ao armazenamento e dotação de água para abastecimento de edificações e rega. Este sistema compreende a condução gravítica de água que abastece e percorre 42 charcas dispostas estrategicamente, cuja função estética e simbólica é excedida pelas necessidades de humidade relativa e rega do coberto vegetal. A condução é realizada por condutas de chumbo, manilhas de cerâmica e caleiras de pedra e a distribuição por caixas de divisão de águas orienta águas para tanques, tanquetas, lagos e 11 depósitos. As tanquetas ou charcas destinar-se-iam a rega manual.