{"id":33868,"date":"2022-06-09T12:20:50","date_gmt":"2022-06-09T12:20:50","guid":{"rendered":"https:\/\/aprh.zalox.pt\/sem-categoria\/a-reabilitacao-do-regadio-de-xai-xai\/"},"modified":"2022-06-09T12:20:50","modified_gmt":"2022-06-09T12:20:50","slug":"a-reabilitacao-do-regadio-de-xai-xai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprh.pt\/pt\/publicacoes\/artigos\/a-reabilitacao-do-regadio-de-xai-xai\/","title":{"rendered":"A reabilita\u00e7\u00e3o do regadio de Xai-Xai"},"content":{"rendered":"<h6>T\u00edtulo:<\/h6>\n<p>A reabilita\u00e7\u00e3o do regadio de Xai-Xai<\/p>\n<h6>Resumo:<\/h6>\n<p>A reabilita\u00e7\u00e3o do Regadio de Xai-Xai, situado no sul de Mo\u00e7ambique, na plan\u00edcie aluvionar do Rio Limpopo, junto \u00e0 cidade de Xai-Xai, faz parte de um projecto que tem em vista o aumento da capacidade produtiva de pequenos agricultores e o al\u00edvio da pobreza das popula\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s da reabilita\u00e7\u00e3o e\/ou cria\u00e7\u00e3o de infra-estruturas para a rega e drenagem e introdu\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas culturais melhoradas. A \u00e1rea de projecto \u00e9 dominada pela agricultura familiar, feita por pequenos produtores (poder\u00e3o ser 8 800 beneficiados) que vivem no limiar da pobreza. Esta obra de rega ocupa uma \u00e1rea de cerca de 3000 ha e foi constru\u00edda em 1984 para beneficiar algumas cooperativas agr\u00edcolas. Consistia em tr\u00eas esta\u00e7\u00f5es de bombagem e respectivos sistemas de adu\u00e7\u00e3o em canais a c\u00e9u aberto para uma distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua por gravidade. As EBs tinham a dupla fun\u00e7\u00e3o de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua para rega e de remo\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de drenagem do per\u00edmetro, das valas situadas a cotas abaixo dos n\u00edveis do rio em periodo de mar\u00e9 alta. A plan\u00edcie aluvionar do Rio Limpopo \u00e9 formada essencialmente por sedimentos aluvionares e na \u00e1rea de estudo ocorrem solos aluvionares hidrom\u00f3rficos e solos aluvionares n\u00e3o hidrom\u00f3rficos. A faixa pantanosa que se estende entre a plan\u00edcie aluvionar (Vale), e as encostas do planalto arenoso circundante (Serra), caracteriza-se pela ocorr\u00eancia de solos hidrom\u00f3rficos org\u00e2nicos, turfoso (\u201cMachongos\u201d), gerados pela presen\u00e7a constante de toalha fre\u00e1tica elevada originada pelo escoamento das encostas arenosas. Esta zona (Zona 1), tem cerca de 4.700 ha de elevada fertilidade. Os solos argilosos, imperfeitamente a mal drenados, s\u00e3o a unidade dominante no Vale (Zona 2), com cerca de 7200 ha. Uma parte consider\u00e1vel dos solos s\u00e3o salgados \u00e0 profundidade da zona radicular, estando esta salinidade associada \u00e0s camadas salgadas do subsolo. Contudo, os solos org\u00e2nicos hidrom\u00f3rficos n\u00e3o apresentam quaisquer limita\u00e7\u00f5es em termos de salinidade, quer ao n\u00edvel da camada superficial, quer nas camadas mais profundas. Nas \u00e1reas pr\u00f3ximas da zona central do vale os solos aluvionares apresentam maiores problemas de saliniza\u00e7\u00e3o\/sodiza\u00e7\u00e3o, e exigem cuidados especiais na sua explora\u00e7\u00e3o em regadio por forma a evitar os processos de saliniza\u00e7\u00e3o. Face aos resultados dos estudos efectuados foram propostos dois tipos de interven\u00e7\u00f5es (Zona 1 e Zona 2), a realizar em duas fases distintas. As duas zonas distinguem-se pelas caracter\u00edsticas pedol\u00f3gicas dos terrenos e na sua forma de explora\u00e7\u00e3o em regadio, o que condiciona o ordenamento cultural e as necessidades de rega das culturas (Zona 1: \u201cMachongos\u201d, Zona 2: \u201cBila\u201d). A Fase 1 contempla o aproveitamento na \u00edntegra da mancha de solos (Histossolos), designados por Machongos (Zona 1). No esquema hidr\u00e1ulico seleccionado para a beneficia\u00e7\u00e3o desta Zona prev\u00ea-se a reabilita\u00e7\u00e3o de 4441 ha de terrenos recorrendo ao sistema comum de drenagem e rega por humedecimento (Sub-irriga\u00e7\u00e3o), que utiliza estruturas reguladoras do n\u00edvel de \u00e1gua na sec\u00e7\u00e3o final das valas secund\u00e1rias que os atravessam. Para tal far-se-\u00e1 o redimensionamento e reabilita\u00e7\u00e3o do sistema de drenagem j\u00e1 existente. Esta primeira Fase \u00e9 considerada como priorit\u00e1ria em termos de aproveitamento e desenvolvimento agr\u00edcola, n\u00e3o s\u00f3 devido ao seu potencial imediato, como dos beneficios que adv\u00eaem dos baixos custos envolvidos quer no investimento inicial quer na gest\u00e3o do sistema de drenagem\/rega, assumindo que a fonte de \u00e1gua depende apenas da manuten\u00e7\u00e3o da profundidade do len\u00e7ol fre\u00e1tico, alimentado pelas escorr\u00eancias das Encostas, a cotas que interessam \u00e0s culturas praticadas. Outra das vantagens que se oferecem nesta Fase, que beneficiar\u00e1 um total de 4977 ha (incluindo o Bloco Ponela, com 536 ha) \u00e9 o acesso f\u00e1cil a esta Zona por parte dos agricultores familiares (proximidade fisica e melhor adapta\u00e7\u00e3o ao tipo de explora\u00e7\u00e3o). A Fase 2 diz respeito \u00e0 beneficia\u00e7\u00e3o da Zona 2, onde foram delimitados 3 blocos de rega com uma \u00e1rea total de 3781 ha, tendo sido seleccionado para elabora\u00e7\u00e3o do projecto de execu\u00e7\u00e3o, um bloco de rega tipo com 536 ha (Ponela), localizado na zona onde actualmente existe uma maior pratica de regadio, assumindo que ser\u00e1 a \u00e1rea de rega piloto ou experimental que servir\u00e1 de base de desenvolvimento e gest\u00e3o a adoptar para esta Zona. Este Bloco de Ponela foi incluido na Fase 1, pelo que a Fase 2 se limitar\u00e1 a servir 3245 ha situados na plan\u00edcie de inunda\u00e7\u00e3o do rio Limpopo, ocupada por solos aluvionares aluvionares n\u00e3o hidrom\u00f3rficos (Fluvissolos), estratificados ou argilosos. Todos os blocos da Zona 2 ser\u00e3o abastecidos com \u00e1gua bombada no Rio Limpopo, podendo o bloco de Ponela ser abastecido com \u00e1gua sobrante dos escoamentos das encostas, n\u00e3o utilizada pela Zona 1, e aduzida pelo colector de drenagem. O tra\u00e7ado da rede de drenagem\/sub-irriga\u00e7\u00e3o acompanha de perto o sistema de valas actualmente existente. Trata-se de um sistema com eixos centrais constitu\u00eddos por colectores de grandes dimens\u00f5es, nos quais entroncam v\u00e1rias valas secund\u00e1rias com espa\u00e7amentos regulares; estas valas recolhem \u00e1gua drenada por pequenas valetas (terci\u00e1rias) que drenam\/regam talh\u00f5es de dimens\u00f5es padronizadas, conforme ilustra o desenho anexo. Na extremidade de jusante do sistema, na conflu\u00eancia deste com o rio Limpopo, foi identificada a necessidade de construir uma esta\u00e7\u00e3o elevat\u00f3ria que permita elevar os caudais de drenagem acima dos n\u00edveis de \u00e1gua impostos pela ac\u00e7\u00e3o das mar\u00e9s nesta sec\u00e7\u00e3o do rio. Este sistema funcionar\u00e1 para drenar excedentes de \u00e1gua durante a \u00e9poca h\u00famida e para garantir que os terrenos beneficiados por este regadio possuam o n\u00edvel fre\u00e1tico localizado \u00e0 profundidade adequada para garantir as condi\u00e7\u00f5es de humedecimento dos solos necess\u00e1rias ao bom desenvolvimento das culturas; para tal devem ser controlados os n\u00edveis de \u00e1gua nas valas secund\u00e1rias e terci\u00e1rias, tendo os colectores principais unicamente fun\u00e7\u00f5es de escoamento de excessos de \u00e1gua, em ambas as \u00e9pocas. O controle dos n\u00edveis de \u00e1gua nas valas ser\u00e1 efectuado atrav\u00e9s da opera\u00e7\u00e3o de pequenos descarregadores frontais de soleira m\u00f3vel a colocar na extremidade de jusante das valas secund\u00e1rias, na conflu\u00eancia com o colector principal. Os tra\u00e7ados das valas e colectores projectados acompanham de uma forma geral o tra\u00e7ado das actuais valas. A rede projectada \u00e9 constitu\u00edda por 30 valas e colectores com uma extens\u00e3o total de cerca de 97,1 km. A largura de rasto varia entre 2,5 m e 12,0 m, enquanto que a largura de boca varia entre 5,85 m e 23,16 m. O caudal de dimensionamento da esta\u00e7\u00e3o elevat\u00f3ria de Umbape ser\u00e1 de 5,9 m3\/s. A rede de rega do bloco de Ponela tem origem num reservat\u00f3rio de regulariza\u00e7\u00e3o abastecido por um sistema de bombagem instalado na EE Umbape e \u00e9 constituida por uma rede em baixa pressao que ter\u00e1 uma extens\u00e3o total de 13,1 km. A rede de caminhos rurais projectados fornecer\u00e1 meios de acesso permanente aos 12 blocos definidos na \u00e1rea de rega e drenagem, e de modo a permitir tamb\u00e9m uma flexibilidade maior na explora\u00e7\u00e3o das redes de adu\u00e7\u00e3o e de distribui\u00e7\u00e3o, e \u00e9 constitu\u00edda por 15 caminhos, com uma extens\u00e3o total de aproximadamente 126 km, com uma densidade de 10,7 m por hectare beneficiado. A EE do Umbape foi concebida para as fun\u00e7\u00f5es de drenagem e de rega, e ser\u00e1 equipada com 4 grupos electrobomba destinados \u00e0 drenagem, (1,97 m3\/s elevados a 6,0 m, cada ), e 4 grupos electrobomba destinados `a rega do Bloco de Ponela (0,32 m3\/s e altura de eleva\u00e7\u00e3o de 10,7 m). Nas situa\u00e7\u00f5es em que o n\u00edvel de \u00e1gua a montante \u00e9 muito alto, os quatro grupos de drenagem podem funcionar simultaneamente, e bombar para o rio um caudal total de 7,9 m3\/s. Em situa\u00e7\u00f5es de urg\u00eancia, quando os n\u00edveis de \u00e1gua s\u00e3o muito elevados, os tr\u00eas grupos de electrobombas destinados \u00e0 rega podem ser usados para refor\u00e7ar a capacidade de drenagem da esta\u00e7\u00e3o elevat\u00f3ria, descarregando directamente o caudal para o rio Limpopo. Est\u00e1 prevista a constitui\u00e7\u00e3o de uma entidade gestora do empreendimento como uma das metas do projecto. Esta entidade ser\u00e1 respons\u00e1vel pela opera\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o dos elementos comuns e prim\u00e1rios do esquema de regadio e pela aplica\u00e7\u00e3o de uma politica financeira que garanta a sustentabilidade de todo o sistema a longo prazo. Assume-se que a opera\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o dos elementos secund\u00e1rios e terci\u00e1rios do sistema sejam da responsabilidade dos agricultores organizados em Associa\u00e7\u00f5es de Regantes ao n\u00edvel do Bloco.<\/p>\n<h6>Autores:<\/h6>\n<p> Nuno T. Cola\u00e7o,  In\u00e1cio Pereira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>T\u00edtulo: A reabilita\u00e7\u00e3o do regadio de Xai-Xai Resumo: A reabilita\u00e7\u00e3o do Regadio de Xai-Xai, situado no sul de Mo\u00e7ambique, na plan\u00edcie aluvionar do Rio Limpopo, junto \u00e0 cidade de Xai-Xai, faz parte de um projecto que tem em vista o aumento da capacidade produtiva de pequenos agricultores e o al\u00edvio da pobreza das popula\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[163],"tags":[],"class_list":["post-33868","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v23.8 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>A reabilita\u00e7\u00e3o do regadio de Xai-Xai - APRH<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/aprh.pt\/pt\/publicacoes\/artigos\/a-reabilitacao-do-regadio-de-xai-xai\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"A reabilita\u00e7\u00e3o do regadio de Xai-Xai - 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