{"id":33898,"date":"2022-06-09T12:21:00","date_gmt":"2022-06-09T12:21:00","guid":{"rendered":"https:\/\/aprh.zalox.pt\/sem-categoria\/analise-e-mitigacao-de-secas-usando-o-spi-uma-aplicacao-regional-ao-algarve\/"},"modified":"2022-06-09T12:21:00","modified_gmt":"2022-06-09T12:21:00","slug":"analise-e-mitigacao-de-secas-usando-o-spi-uma-aplicacao-regional-ao-algarve","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprh.pt\/pt\/publicacoes\/artigos\/analise-e-mitigacao-de-secas-usando-o-spi-uma-aplicacao-regional-ao-algarve\/","title":{"rendered":"An\u00e1lise e mitiga\u00e7\u00e3o de secas usando o SPI uma aplica\u00e7\u00e3o regional ao Algarve"},"content":{"rendered":"<h6>T\u00edtulo:<\/h6>\n<p>An\u00e1lise e mitiga\u00e7\u00e3o de secas usando o SPI uma aplica\u00e7\u00e3o regional ao Algarve<\/p>\n<h6>Resumo:<\/h6>\n<p>As Secas s\u00e3o um fen\u00f3meno natural de grande complexidade, que afecta vastas \u00e1reas e numerosas popula\u00e7\u00f5es do mundo. Diferem de outros riscos naturais devido ao seu car\u00e1cter imprevis\u00edvel, \u00e0 sua instala\u00e7\u00e3o lenta e progressiva, aos seus impactes disseminados e n\u00e3o-estruturais, e \u00e0 aus\u00eancia de uma defini\u00e7\u00e3o precisa e universal. Apesar das abordagens tradicionais serem unidisciplinares, a natureza complexa e difusa das Secas exige uma abordagem interdisciplinar, integrando as avalia\u00e7\u00f5es do risco e da vulnerabilidade, e cruzando factores naturais e antr\u00f3picos, de forma a construir um diagn\u00f3stico integrado do perigo que o fen\u00f3meno representa para a sociedade. Todos estes vectores se cruzam no territ\u00f3rio sobre o qual o fen\u00f3meno se exprime, e que deve por isso constituir a sua charneira de an\u00e1lise e resposta \u00e0s Secas: \u00e9 nesta matriz territorial, interdisciplinar e integradora, que a Geografia tem um campo privilegiado de trabalho, que deve partir do diagn\u00f3stico f\u00edsico, passar por uma avalia\u00e7\u00e3o das disponibilidades h\u00eddricas com base num balan\u00e7o de oferta e procura, e concluir com o diagn\u00f3stico das formas e m\u00e9todos de organiza\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica que a Sociedade utiliza para reduzir a sua vulnerabilidade. A an\u00e1lise tradicional das Secas tem-se baseado em complexas ferramentas de quantifica\u00e7\u00e3o, tais como \u00edndices e modelos, que limitam uma comunica\u00e7\u00e3o directa e fluente entre cientistas, decisores e cidad\u00e3os. No entanto, a efic\u00e1cia dessa comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 globalmente reconhecida como uma componente essencial da mitiga\u00e7\u00e3o de Secas. Paralelamente, grande parte destas an\u00e1lises unidisciplinares restringe-se ao per\u00edodo de Seca especificado em fun\u00e7\u00e3o da componente ou sector afectado, cujos impactes e escalas temporais divergem largamente. O SPI (Standard Precipitation Index) surge em 1993 para dar resposta a estas limita\u00e7\u00f5es. As suas recentes aplica\u00e7\u00f5es t\u00eam revelado este \u00edndice como uma ponderosa ferramenta pela sua simplicidade, que apenas requer s\u00e9ries mensais longas de precipita\u00e7\u00e3o, e permite calcular 4 das principais dimens\u00f5es do fen\u00f3meno: dura\u00e7\u00e3o, intensidade, magnitude, e frequ\u00eancia. Adicionalmente, o \u00edndice pode ser calculado utilizando diferentes escalas temporais, o que \u00e9 de extrema utilidade na cobertura dos diversos impactes e dos diferentes tempos de resposta de cada um dos sistemas h\u00eddricos afectados \u2013 por exemplo, agricultura e \u00e1gua no solo numa escala de 6 meses, abastecimento p\u00fablico de superf\u00edcie e produ\u00e7\u00e3o hidroel\u00e9ctrica a 12 meses, abastecimento subterr\u00e2neo e recarga de aqu\u00edferos a 24 meses. No presente trabalho o SPI \u00e9 aplicado a duas escalas, 12 e 24 meses, a 12 s\u00e9ries longas de precipita\u00e7\u00e3o no per\u00edodo comum 1946-2003, relativas a postos de medi\u00e7\u00e3o no Algarve, regi\u00e3o sujeita a frequentes e intensos per\u00edodos de Seca, e a uma crescente press\u00e3o da procura no consumo de \u00e1gua. Apresentam-se os pressupostos e o processo de c\u00e1lculo do \u00edndice, e os v\u00e1rios passos seguidos no tratamento e prepara\u00e7\u00e3o pr\u00e9vias das s\u00e9ries utilizadas \u2013 selec\u00e7\u00e3o das s\u00e9ries e do per\u00edodo comum, utiliza\u00e7\u00e3o de anos climatol\u00f3gicos, colmata\u00e7\u00e3o de lacunas, avalia\u00e7\u00e3o de homogeneidade. Define-se em seguida a metodologia utilizada no c\u00e1lculo dos diversos par\u00e2metros utilizados na identifica\u00e7\u00e3o e caracteriza\u00e7\u00e3o dos eventos, e analisam-se os per\u00edodos de Seca comuns, como forma de abordar a sua extens\u00e3o e cobertura espacial. As principais conclus\u00f5es que se podem retirar da an\u00e1lise dos dados s\u00e3o que:<\/p>\n<ul>i) a Seca de 1954 a 1960 em Alcoutim pode ser considerada como o evento mais longo e severo registado na regi\u00e3o;<\/ul>\n<ul>ii) no resto dos postos, esse evento m\u00e1ximo ocorre aproximadamente no per\u00edodo de 1980 a 1984;<\/ul>\n<ul>iii) a Seca verificada entre 1974 e 1976, juntamente com os dois eventos atr\u00e1s referidos, s\u00e3o aqueles que apresentam maior extens\u00e3o espacial na regi\u00e3o.<\/ul>\n<p> Os dados obtidos s\u00e3o inconclusivos no que toca a eventuais tend\u00eancias na distribui\u00e7\u00e3o dos eventos ao longo do per\u00edodo de an\u00e1lise, que \u00e9 sobretudo marcado pelos eventos isolados atr\u00e1s referidos. Seria f\u00e1cil concluir que h\u00e1 uma maior severidade dos eventos durante a segunda metade da s\u00e9rie, mas isso seria encobrir o facto de tal se dever \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o temporal relativa da Seca de 80. Ali\u00e1s, da an\u00e1lise global dos c\u00e1lculos efectuados e respectivos resultados, pode-se antes concluir que, dada a variabilidade clim\u00e1tica intr\u00ednseca do clima mediterr\u00e2nico, devem ser utilizadas s\u00e9ries mais longas para a caracteriza\u00e7\u00e3o da ocorr\u00eancia de Secas numa regi\u00e3o, bem como para a eventual detec\u00e7\u00e3o de tend\u00eancias ou padr\u00f5es evolutivos. Infelizmente, no caso do Algarve, essa op\u00e7\u00e3o restringe a an\u00e1lise a dois postos de medi\u00e7\u00e3o: Faro (1895-2004) e S\u00e3o Br\u00e1s de Alportel (1909-2004). A utiliza\u00e7\u00e3o das diferentes escalas do SPI \u00e9 de particular interesse para relacionar as ocorr\u00eancias com os seus impactes em diversos sectores da actividade humana. O diferencial de tempo com que o SPI 24 detecta id\u00eanticos per\u00edodos face ao SPI 12 (no fundo, o \u201catraso\u201d com que responde a um d\u00e9fice de precipita\u00e7\u00e3o), evidencia os diferentes tempos que medeiam na resposta dos diversos sistemas a uma redu\u00e7\u00e3o da precipita\u00e7\u00e3o. Os caudais das linhas de \u00e1gua, a \u00e1gua retida no solo, os n\u00edveis de armazenamento das albufeiras, e os dos aqu\u00edferos, respondem de facto progressivamente mais tarde quer \u00e0 falta de chuva, quer ao seu regresso, e \u00e9 nessas diferen\u00e7as do tempo de resposta que o SPI encontra um campo de aplica\u00e7\u00e3o mais vantajoso. O SPI demonstra assim uma elevada capacidade de diagnosticar e analisar os eventos de Seca a n\u00edvel regional, e de definir e quantificar as suas principais caracter\u00edsticas e dimens\u00f5es, bem como um grande potencial na monitoriza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es actuais, e na comunica\u00e7\u00e3o dos seus resultados a todos os decisores envolvidos na mitiga\u00e7\u00e3o dos impactes e na resposta ao fen\u00f3meno.<\/p>\n<h6>Autores:<\/h6>\n<p> Afonso do \u00d3<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>T\u00edtulo: An\u00e1lise e mitiga\u00e7\u00e3o de secas usando o SPI uma aplica\u00e7\u00e3o regional ao Algarve Resumo: As Secas s\u00e3o um fen\u00f3meno natural de grande complexidade, que afecta vastas \u00e1reas e numerosas popula\u00e7\u00f5es do mundo. 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