22-24 FEV
O Desenvolvimento do Regadio em Portugal
22 a 24 de fevereiro de 1984
Relato
Relato
Após a realização deste Simpósio que teve lugar de 22 a 24 de Fevereiro de 1984, foram publicadas diversas notícias alusivas a esta realização de entre as quais se destaca a publicada no Boletim da Junta Central das Casas do Povo (Povo Rural no 110 de Março de 1984), que se transcreve:
A terra e a água são bens comuns da humanidade. A exploração destes bens deve ser cuidada e racional de modo a que sirva as necessidades fundamentais de um povo.
A água em excesso ou em falta não é boa para a produção agrícola. Normalmente a falta de água causa graves problemas econômicos e sociais em vastas regiões do mundo e muito concretamente em Portugal. A falta de água, alem de causar grandes danos a produção agrícola, traz igualmente problemas de escassez de energia. O aumento da população e o mau uso do solo e dos recursos hídricos são algumas das causas deste problema.
A poluição das águas pelas indústrias, a destruição das matas e as terras por cultivar, são factores importantes de degradação ecologica, propiciadores de grandes secas, por exemplo.
O AVANÇO DA NOSSA AGRICULTURA TAMBÉM PASSA PELO DESENVOLVIMENTO DO REGADIO
Não se pode dizer que Portugal seja um país pobre no que respeita a recursos hídricos. Precisa, no entanto, de gerir melhor es ses recursos e apostar no desenvolvimento do regadio por onde, segundo opinião de muitos dos técnicos, passa o desenvolvimento da nossa agricultura.
O desenvolvimento do regadio, tema central do simpósio promovido pela Associação de Recursos Hídricos, depende, porém, de vários factores a ter em conta. Factores técnicos, sociais, culturais, económicos e políticos. Na dita reunião, já referida, foram tratados a maioria destes aspectos. Pena, porém, não serem de tradução para os agricultores, muitas das questões ali abordadas.
No entanto, pode-se afirmar que para se avançar com qualquer projecto de regadio, será necessário ter em conta o tipo de exploração agrícola, assim como um lote de medidas que proporcionam obtenção e conservação dos recursos hídricos. O crédito e a política de comercialização, bem como os conhecimentos técnicos de rega são muito importantes. Importante ainda é a participação dos agricultores e suas organizações nesse mesmo projecto.
Saliente-se aqui o papel da acção cultural, pois que a cultura dos agricultores condiciona as suas escolhas. Mas, também não é menos verdade que os órgãos de informação e a publicidade as condicionam. Mas é o ambiente socio-cultural próprio da comunidade que influencia, em grande parte, o espírito do agricultor, bem como sua acção, nomeadamente de se associar e participar em acções comuns.
No fundo, todas as questões da agricultura estão interligadas. Assim, desenvolver o regadio em Portugal implica desenvolver todos os aspectos da agricultura.
Significa, fundamentalmente, que qualquer processo de desenvolvimento na agricultura deverá ter em conta a participação dos agricultores, a sua formação profissional e a estrutura da propriedade.
O simpósio sobre o desenvolvimento do regadio em Portugal contribuiu certamente para o avanço da reflexão sobre questões que são muito importantes para a nossa agricultura.
Iniciativas destas são sempre louváveis. Embora sendo uma reunião de especialistas não seria de encarar a participação dos agricultores? Claro que isso exigiria, provavelmente, outro tipo de reunião e outras metodologias.