25 MAI
Rios, redes de vida – desafios, oportunidades, visões
25 de maio de 2026
Casa da Achada
Rua da Achada 11, 1100-004 Lisboa
Mesa redonda organizada pela Comissão Especializada em Rios da APRH
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Programa
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Descrição
Esta mesa redonda assume, como enquadramento, os objectivos globais de sustentabilidade, o regime jurídico da água, em portugal e na União Europeia, e o papel da participação pública na definição dos objectivos de gestão de recursos hídricos.
Constata-se que apesar de os instrumentos jurídicos, incluíndo a Lei da Água e os planos de bacia, garantirem mecanismos de participação pública, grande parte dos rios, sobretudo em bacias periurbanas, permanece ecologicamente empobrecida e invisível para as suas comunidades próximas, excepto em situações de risco hidro-climático.
Pode, portanto, argumentar-se que existe um afastamento material e simbólico entre comunidades humanas e sistemas fluviais. Um desconexão que impede uma participação activa que possa constituir-se como motor ou elemento estruturante das intervenções no espaço dos rios.
O objectivo central desta mesa redonda é reavaliar esta desconexão, interrogando não só os limites da resposta convencional — técnica, legal e administrativa — quanto à possibilidade e âmbito da participação das comunidades com ligações aos rios mas também a ontologia implícita na própria formulação, não específica dos rios, da relação entre meios naturais e as comunidades humanas – como se posicionam os seres humanos em relação às restantes entidades do mundo material? É a humanidade uma exceção ou uma parte de um contínuo? É o controlo da Natureza algo necessário (e possível?) ou existem outras formas de coexistência? Há vantagens em garantir a entidades do meio natural o estatuto de pessoa não-humana?
Neste contexto, termos como Natureza, Ambiente, ou Sustentabilidade vão evoluindo e contêm propostas de significação por vezes antagónicas.
O painel, multidisciplinar, com elementos das Ciências do Ambiente, Ciências Jurídicas, Linguística e Engenharia procederá a uma revisão crítica da evolução das relações entre a humanidade e os rios, procurando, desde paradigmas relacionais pré-modernos até às formas contemporâneas de excepcionalismo humano, evidenciando como estas moldaram práticas de gestão, estruturas de participação e regimes de produção de significado dos rios e suas funções.
O debate será aberto à participação do público.
Serão redigidas e aprovadas recomendações para enviar aos órgãos competentes para a gestão do território, em particular do domínio hídrico.
Programa
15:30 – 15:45
Apresentação da sessão
Rui Ferreira, CER-APRH
Rui Ferreira, CER-APRH
15:45 – 17:15
Intervenções
Alexandra Aragão, Ana Estela Barbosa, Carlos Gouveia, Paulo Oliveira
Alexandra Aragão, Ana Estela Barbosa, Carlos Gouveia, Paulo Oliveira
17:15 – 18:30
Interação com o público
☕ Entre as 17:15 e as 18:30 será servido café e lanche
Oradores

Alexandra Aragão
Professora de direito do ambiente / Universidade de Coimbra Professora de direito do ambiente na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, e diretora da Revista de “Direito do Urbanismo, do Ordenamento e do Ambiente”. É membro do Observatório Europeu da Natura 2000 e das Águas. Membro do Comité de Conflitos de Interesses da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços dos Ecossistemas (IPBES) das Nações Unidas (2020 e 2024). Coordenadora da rede “JUST-Side – Justiça e Sustentabilidade através de infraestruturas de dados espaciais” e da Plataforma de Inovação em Recursos Endógenos da Estratégia de Desenvolvimento Regional do Centro, em Portugal. Cofundadora do Grupo Jurídico da Society for Ecological Restoration e Embaixadora do ODS 16 na Parceria Portuguesa para o Pacto Global. Participante em projetos de restauro fluvial (Geota-Rios Livres).
Ana Estela Barbosa
Investigadora / Laboratório Nacional de Engenharia Civil Doutorada em Biotecnologia e Engenharia do Ambiente (Universidade de Aalborg, Dinamarca) e agregada em Ambiente e Sustentabilidade (FCT-UNL), é investigadora no Laboratório Nacional de Engenharia Civil. Foi Vogal e depois Vice-Presidente da Comissão Diretiva da APRH (2021–2023; 2023–2025). Desenvolve investigação interdisciplinar na interface entre ciências do ambiente e sustentabilidade social. A sua experiência abrange a gestão integrada de sistemas hídricos, a sustentabilidade e a avaliação de impacte ambiental, articulando ciência, inovação, política e sociedade. Tem particular interesse nas Soluções de Base Natural enquanto abordagens capazes de responder, de forma integrada, a desafios globais. Atualmente, coordena o projeto NATURELAB (2023–2027), financiado pelo Horizonte Europa.
Carlos Gouveia
Professor / Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa Carlos A. M. Gouveia é Professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e investigador do CELGA-ILTEC (Centro de Estudos de Linguística Geral e Aplicada & Instituto de Linguística Teórica e Computacional) da Universidade de Coimbra. As suas áreas de investigação são a Linguística Aplicada Crítica e a Análise Crítica do Discurso, com particular ênfase nos estudos de literacia, de desenvolvimento profissional e de representações sociais. A sua investigação mais recente centra-se nas metanarrativas de valor, uso e sustentabilidade que circulam na sociedade, analisando representações discursivas do valor da língua inglesa e a narrativa de prosperidade e sucesso entre estudantes universitários europeus de inglês como língua estrangeira, bem como representações sociossemióticas do ativismo climático na sociedade.
Paulo Oliveira
Diretor Adjunto / Serviço de Hidráulica e Ambiente da TPF – Consultores de Engenharia e Arquitetura Paulo Oliveira é Engenheiro Agrónomo, ramo de Melhoramentos Rurais, Especialista em Engenharia da Rega e dos Recursos Agrícolas, pelo Instituto Superior de Agronomia e Especialista em Hidráulica e Recursos Hídricos, pela Ordem dos Engenheiros. É Diretor Adjunto do Serviço de Hidráulica e Ambiente da TPF – Consultores de Engenharia e Arquitetura. A sua experiência abrange, em Portugal e em vários países de África, o projeto de infraestruturas hidráulicas como barragens e sistemas de rega, o planeamento da gestão integrada de recursos hídricos, a modelação hidrológica e hidráulica e a coordenação de diversas tipologias de estudos incluindo de avaliação de impacte ambiental. Tem foco em entregar serviços de qualidade e que possam contribuir para melhorar a vida das pessoas. Tem particular interesse nos estudos que envolvam infra-estruturas com impacto potencial no desenvolvimento socioeconómico, tais como barragens.
Moderador
Rui M.L. Ferreira
Professor Associado / Instituto Superior Técnico Rui Ferreira é Professor Associado no Instituto Superior Técnico (IST) da Universidade de Lisboa. Tem coordenado investigação fundamental e aplicada em Gestão de Risco, Mecânica dos Fluidos e Hidrodinâmica, Ciências Hidrológicas e Geociências, com a aplicações na renaturalização de rios, cheias fluviais ou decorrentes da ruptura de diques ou barragens, e mitigação do risco de tsunami. Publicou, até à data, nestes temas, mais de 310 artigos e comunicações, incluindo mais de 60 artigos em revistas indexadas, e coordenou 10 projetos de investigação nacionais e internacionais. Foi fundador do Comité de Hidráulica Fluvial (atualmente Comité de Rios) da APRH em 2008, presidindo ao mesmo desde 2015. Presidiu ao Comité de Métodos Experimentais e Instrumentação (EMI) da IAHR entre 2019 e 2022 e integrou a equipa de liderança do Comité de Hidráulica Fluvial (FH) entre 2013 e 2023. Desenvolveu estudos de consultoria em vários continentes. Participou em iniciativas de apoio à decisão em matérias de risco de cheia e tsunami, promovidas pela Assembleia da República e pela Câmara Municipal de Lisboa. Tem divulgado, na imprensa geral e especializada, temas relacionados com impacto de cheias e tsunamis, o planeamento urbano para a mitigação de riscos.Inscrição
Inscrições até 20 de maio: Formulário de inscrição
Estudantes: gratuito
Associados da APRH: 10€
Não associados e não estudantes: 20€
Como chegar