24-26 FEV
A Bacia Hidrográfica Portuguesa do Rio Tejo – Perspectivas para o seu Desenvolvimento
e para a Gestão dos seus Recursos Hídricos
24 a 26 de fevereiro de 1982
Fotos
Livros
Editorial dos livros
Relato
Fotos
Livros
Volume I
Disponibilidades de águas superficiais e subterrâneas
Relato do tema “Disponibilidades de águas superficiais e subterrâneas”
A. Carvalho Quintela
As águas subterrâneas da bacia terciária do Tejo e o abastecimento de água a Lisboa: alguns exemplos de trabalhos de pesquisa e captação
Diamantino Mendonça; J.A. Botelho Chaves; J. Martins Carvalho; J. Lopo Mendonça
Disponibilidades de águas superficiais e subterrâneas
Adolfo Gonçalves
Balanço hídrico da parte portuguesa da bacia hidrográfica do Tejo
José Rasquilho Raposo
Bacia hidrográfica da ribeira de Alenquer. Bacias experimentais e representativas
Manuel Pedro Romano; Orlando Ferreira Botelho; Teresa Maló; Clotilde Gonçalves; Noémia Nunes
Águas minerais na bacia do Tejo
Carlos Calado
Sistematização, regularização, controlo de cheias (prejuízos causados) e domínio do transporte sólido
As soluções globais
Alberto Abecasis Manzanares; José de Araújo Coutinho
Defesa contra cheias na Lezíria Grande de Vila Franca de Xira – perspectivas
Luís Marques Alexandre; Maria Emília Borralho
Caracterização geral do regime de transporte sólido no troço aluvionar do rio Tejo
Rui Gonçalves Henriques; Luis Veiga da Cunha
Avaliação da evolução do transporte sólido no rio Tejo e sua influência no leito
António de Carvalho Quintela; Miguel Azevedo Coutinho; José Costa Miranda
Sistematização fluvial do rio Sorraia
Jorge Dias de Carvalho; José Costa Miranda
Sistematização fluvial da ribeira da Meimoa: regularização fluvial, controle de cheias e domínio de transporte sólido
João Soromenho Rocha; António de Sousa Sobrinho
Utilização de diques fusíveis para defesa contra cheias
António Gonçalves Henriques; Carlos Matias Ramos
Análise do impacto da rotura de barragens com albufeira. Aplicação ao caso de Castelo de Bode
António Betâmio de Almeida; António Gonçalves Henriques
Volume II
Poluição e qualidade da água: no estuário, no rio e nas linhas de água a montante: medidas de controlo e de gestão da qualidade
Relato do tema “Poluição e qualidade da água: no estuário, no rio e nas linhas de água a montante: medidas de controlo e de gestão da qualidade”
José M. Nobre Santos
Estudo ambiental do estuário do Tejo
Tomás R. do Espírito Santo
Poluição das águas do rio Tejo e sua previsível influência na qualidade das águas de abastecimento à região de Lisboa
Rui M. Godinho; César F. Antunes; M. Helena Pinto; J. Domingos Rosa
Principais acções de controle e estudos de poluição levadas a efeito pela DGRAH na bacia hidrográfica do rio Tejo
António F. Fonseca Janeiro
Gestão qualitativa da bacia hidrográfica do rio Tejo. Rede nacional de qualidade da água
Mabel Tavares da Silva; Clara Cruz
Evolução da qualidade da água do rio Tejo, junto à barragem do Fratel
Verónica Carvalhal; M. Zita Stocker
A bacia hidrográfica do Nabão
Maria de Lurdes Mourinha
Estudos de avaliação da qualidade biológica – I (Sistema dos sapróbios e índices bióticos)
Elizabete Rodrigues; Jorge Nascimento Fernandes; Maria Eduarda Sousa; Maria Fátima Brito; Maria Isabel Andrade
Estudos de avaliação da qualidade biológica – II (Pigmentos clorofilinos)
Elizabete Rodrigues; Jorge Nascimento Fernandes; Maria Eduarda Sousa; Maria Fátima Brito; Maria Isabel Andrade
Bacia hidrográfica da ribeira de Alenquer. Controle de poluição
Fernando Silva Teixeira; António Fonseca Janeiro
Modelo matemático da carência bioquímica de oxigénio e do oxigénio dissolvido para o estuário do Tejo
Maria Emília Costa; Carlos da Câmara
Controlo de poluição no estuário do Tejo. Sugestões para a sua implementação
Amílcar Ambrósio; Fernando Santana; Luis Briz
Determinação de cargas industriais afluentes ao estuário do Tejo
Anacleto A. Milheiras Costa; Maria Natália Gaspar; Rosa Maria Pinelas
Navegação e instalações portuárias no estuário e no rio. Tráfego fluvial e marítimo; Desenvolvimento portuário
Relato do tema “Navegação e instalações portuárias no estuário e no rio. Tráfego fluvial e marítimo; Desenvolvimento portuário”
Fernando Abecasis
O estuário do Tejo e o seu porto
Luís Moreira Lobo
Volume III
Desenvolvimento agrícola e ordenamento agrário: Potencialidades para o desenvolvimento agrícola. Evolução das explorações. Culturas e práticas culturais. Florestação
Desenvolvimento da agricultura do vale do Tejo
F. Caldeira Cary
Potencialidades agrícolas da bacia hidrográfica portuguesa do rio Tejo
P. Lynce de Faria; A. Lopes Aleixo
Um quadro geral do ordenamento do espaço na bacia hidrográfica do rio Tejo sob uma perspectiva florestal
A.A. Monteiro Alves; A.M. Carvalho Oliveira
Modelo de produção agroflorestal para o baixo Tejo
V. Ferreira de Campos; F. Caldeira Cary; A. Maria Silva
Recursos hídricos para a agricultura. Erosão e conservação do solo. Rega, necessidades e origens de água; Infraestruturas a criar. Enxugo e drenagem
Relato do tema “Recursos hídricos para a agricultura. Erosão e conservação do solo. Rega, necessidades e origens de água; Infraestruturas a criar. Enxugo e drenagem”
Luis Santos Pereira
Metodologia geral seguida na análise do projecto da Lezíria Grande de Vila Franca de Xira
José Augusto Rodrigues Estevão; A. Negreiros Monteiro; J. Soares Ribeiro
Beneficiamento hidroagrícola dos campos da Golegã
José Costa Miranda; Jorge Dias de Carvalho
Sobre as necessidades de água de rega na bacia inferior do Tejo – Lezíria Grande de Vila Franca de Xira
Luís António Pereira
Plantas aquáticas em valas e canais
I. Moreira J.; D. Fernandes; T. Vasconcelos; E. Fernandes
A utilização do solo e da água pelo sistema terraço-cisterna. Um projecto de investigação
Úlpio Nascimento
Notas sobre o controle de cheias e defesas contra a erosão em solos de xisto
José A. Mira Galvão
Avaliação físico quantitativa das terras no projecto da Lezíria Grande (sistema FAO). Parte I: Colheita de dados analíticos de base
António Manuel M. Perdigão; Luís Francisco Craveiro; Lopes dos Reis; Maria Vanda N.L. Perdigão
Avaliação físico quantitativa das terras no projecto da Lezíria Grande (sistema FAO). Parte II: Previsão de evolução com o projecto
Luís F. Craveiro Lopes dos Reis; António Manuel; Machado Perdigão; Maria Vanda N. Lima Perdigão
Avaliação físico quantitativa das terras no projecto da Lezíria Grande (sistema FAO). Parte III: Classificação da aptidão das terras para usos específicos
Maria Vanda Nunes Lima Perdigão; António Manuel; Machado Perdigão; Luís F. Craveiro Lopes dos Reis
Ensaios de drenagem e dessalinização nos campos experimentais do projecto da Lezíria Grande
António Eduardo Pissarra; José Gonçalves Pombo
Critérios de drenagem e concepção da rede de drenagem do projecto da Lezíria Grande
Daniel Bárrio Vieira
Volume IV
Abastecimento urbano e industrial: Perspectivas e potencialidades de expansão urbana e de desenvolvimento industrial. Necessidades quantitativas e qualitativas de água
Relato do tema “Abastecimento urbano e industrial: Perspectivas e potencialidades de expansão urbana e de desenvolvimento industrial. Necessidades quantitativas e qualitativas de água”
António Moraes Sarmento
O abastecimento de água na bacia hidrográfica portuguesa do rio Tejo
Eduardo Cary
Estimativa das necessidades quantitativas e qualitativas de água para a indústria na bacia hidrográfica do rio Tejo
Vitor Alves Figueiredo; Maria Gabriela Nunes; Artur Ascenso Pires; Maria Filipa Ribeiro; Maria Ester Silva; Rui Figueiredo Simões
Abastecimento de água urbano e industrial na ex-região de saneamento da Beira Baixa
Alexandre M.G. Santos Ferreira
Contributo para a gestão da parcela dos recursos hídricos da margem esquerda da bacia do Tejo, utilizada e a utilizar no abastecimento das populações e indústria
Romeu Rodrigues; Teresa Melo; P. Celestino da Costa
Potencial hidroeléctrico da bacia portuguesa e perspectivas da sua utilização. Inventariação e caracterização dos aproveitamentos previstos
Potencial hidroeléctrico da bacia portuguesa do Tejo. Contribuição para o seu estudo
Luís Braga da Cruz; Álvaro Cunha; Rui Leitão
Aproveitamento de Almourol. Características principais e finalidade do empreendimento
Jorge Cândido da Silva; Fernando Marques Seabra; Arjuna Ananta Molico; José Carlos Pepe Godinho
Ordenamento territorial: Impactos do desenvolvimento urbano, industrial, agrícola e turístico, vias de comunicação, qualidade do ambiente e valorização paisagística
Impactos do desenvolvimento urbano, industrial, agrícola e turístico, vias de comunicação, qualidade do ambiente e valores paisagísticos
António Viana Barreto
Aproveitamento de Almourol. Estudo preliminar do impacto ambiental
Jorge Cândido da Silva; Arjuna Ananta Molico; Leopoldo de Almeida; Francisco Azeredo; Júlio Moreira
Impactos agrícolas da cheia do Tejo de Fevereiro de 1979
João Duarte Silva
Ante-plano de desenvolvimento de uma área do Baixo Tejo
António C. Sérgio Pessoa; Luís Conceição
Gestão da água ao nível da bacia. Gestão global e integrada dos recursos hídricos e relações luso-espanholas
Relato do tema”Gestão da água ao nível da bacia. Gestão global e integrada dos recursos hídricos e relações luso-espanholas”
António Eira Leitão
Gestão global e integrada dos recursos hídricos e relações luso-espanholas
Joaquim Fernando F. Ferreira
Bacia do Tejo: Gestão integrada dos recursos hídricos e relações luso-espanholas
José Correia da Cunha
Perspectivas de evolução do regime de caudais do rio Tejo
José M. Cruz Morais
Editorial dos livros
A realização do Simpósio sobre “A Bacia Hidrografica Portuguesa do Rio Tejo. Perspectivas para o seu Desenvolvimento e a Gestão dos seus Recursos Hidricos” visou o confronto de ideias e de experiências entre técnicos de diversas funções e entre entidades de variados sectores interessados nos problemas da Bacia do Tejo e, com particular relevo, a divulgação dos conhecimentos sobre a Bacia, acumulados em numerosos estudos e trabalhos.
A resposta a este simpósio foi, efectivamente, extraordinária, tanto pelo número de participantes inscritos, como pela quantidade e qualidade das comunicações e relatos apresentados, como ainda pelo interesse posto nos debates.
Foi, assim, possível recolher documentação muito importante sobre o Tejo, a sua região, as potencialidades e as perspectivas de desenvolvimento, em particular no que respeita à valorização e gestão dos seus recursos hídricos e naturais. Em grande parte trata-se de documentação imediata, pelo menos para o grande público.
Nestas condições considerou-se importante publicar o conjunto de comunicações e relatos apresentados, agrupados segundo os temas propostos para o simpósio, o que se reuniu em quatro espessos volumes. A Associação Portuguesa de Recursos Hídricos julga, com esta publicação, prestar um serviço à comunidade científica e técnica nacional ao divulgar estudos e trabalhos realizados e a pô-los à disposição dos utilizadores futuros; e fá-lo com a esperança que a valorização e gestão dos recursos hidricos e naturais da Bacia do Tejo contribuam para o desenvolvimento das suas diversas regiões dos diferentes sectores de actividade numa perspectiva nacional.
Relato
Organizado pela Associação, realizou-se no CDIT do LNEC de 24 a 26 de Fevereiro o simpósio em epígrafe o qual mereceu o melhor acolhimento nos meios técnico e científico, confirmado pela apresentação de 12 comunicações principais e de 43 comunicações livres e pela presença de cerca de 420 participantes.
Como oportunamente foi divulgado, constituiu objectivo deste Simpósio o confronto de ideias e experiências entre cientistas técnicos de várias formações e sectores de actividade, contribuindo para uma ampla divulgação de estudos e trabalhos realizados,com vista a uma adequada definição das perspectivas para o desenvolvimento da bacia hidrográfica portuguesa do rio Tejo e para a gestão dos seus recursos hídricos.
Sem se pretender apresentar conclusões do Simpósio sumarisa- -se de forma breve alguns dos pontos que maior destaque mereceram durante o debate:
- Apresentaram-se estimativas de disponibilidades de águas superficiais da parte portuguesa da bacia hidrográfica do rio Tejo, com uma área de 24 860 km2, correspondente a pouco menos de 1/3 da bacia total. Estas disponibilidades são da ordem dos 6500 x 106 m3 de escoamento em ano médio. A capacidade total de armazenamento disponível na bacia do Tejo é da ordem dos 13 300 x 106 m3, dos quais em Portugal apenas se dispõe de 2700 x 106 m3 (isto é, apenas cerca de 20%).
- Foi apresentado o balanço hidrológico médio anual do aquífero Tejo-Sado, com uma área de 8000 km2, verificando-se que para uma alimentação global de 1670 x 106 m2 é actualmente extraído por uma bombagem um volume da ordem 120 x 10’ m3 (valor que é inferior a 8% da recarga).
- Os estudos e monitorização da qualidade das aguas do rio Tejo e do estuário devem integrar-se no âmbito de uma política global de gestão de recursos hídricos da bacia. A definição de normas de qualidade das águas interiores, deve ser adaptada às utilizações actuais e potenciais dessas águas. Neste sentido foi referido que se iniciou já o estudo da aplicação do princípio poluidor-pagador, tendo sido estabelecidos mais de 30 tipos diferentes de taxas a aplicar.
- Foram apresentados vários estudos de qualidade da água da
bacia do rio Tejo, referindo-se em particular os estudos do curso principal do rio e dos rios Nabão, Almonda, Alviela, Trancão, Jamor e das ribeiras de Barcarena e de La ge, já publicados, e dos rios Sorraia, Zêzere e Maior Vala da Azambuja, em publicação. Estes estudos foram realizados no âmbito do programa da Rede Nacional de Qualidade das Águas em implementação. - Merece uma referência especial, pelo elevado número de organismos da Administração Pública que concitou, o estudo ambiental do estuário do rio Tejo, em fase de conclusão Estes aspectos assumem grande importância, quanto mais não fosse pelo facto de o Tejo constituir actualmente origem de água primordial para o abastecimento a Lisboa.
- Foi manifestada surpresa pelo facto de não terem sido realizados estudos de qualidade das águas subterrâneas, estarem previstos no âmbito da Rede Nacional de Qualidade das Águas. Foi ainda referida a urgência em ser retomados os trabalhos de medição do transporte sólido do rio Tejo, suspensos desde 1978.
- Foi apresentado o plano geral das obras de defesa contra cheias, enxugo e rega do vale do Tejo e quantificadas as respectivas necessidades e origens dos caudais necessários à rega, tendo sido reconhecidos os graves prejuízos económicos e sociais decorrentes do sucessivo protelamento da execução das obras de defesa contra cheias e hidroagrícolas de aproveitamento do Tejo bem como a necessidade de encarar globalmente e com urgência a realização das diversas obras já projectadas ou programadas.
- Ressaltou a necessidade de realização de estudos adicionais, suficientemente aprofundados, sobre o desenvolvimento agrícola e o ordenamento agrário da bacia do rio Tejo, bem como a clarificação da política agrária nacional e inter-regional. A título de exemplo referiu-se a problemática da substituição, no Vale do Tejo, da cultura da vinha nos aluviões e a introdução da cultura da beterraba sacarina (com a seguente implantação das correspondentes unidades industriais.
- Entre as zonas agrícolas desfavorecidas da bacia conta-se a maior mancha contínua de pinhal do país, região indiscutivelmente em recessão económica e rarefação demográfica, que deverão ser travadas. Neste aspecto aponta-se, via de acção, a criação de condições para uma maior racionalidade dos sistemas de produção e exploração florestais.
- Foi sublinhada a carência de estruturas institucionais adequadas ao desenvolvimento do regadio e ao progresso tecnológico da agricultura do Vale do Tejo.
- Foi evidenciada a necessidade do desenvolvimento da experimentação no domínio da rega, drenagem e tecnologias de produção em regadio, como condições basilares para o dimensionamento das obras de hidráulica agricola, tão necessárias para a economia da água na agricultura, para a maximização da produção, e para a modernização da agricultura. Foi igualmente sublinhada a necessidade de sistematização e divulgação das metodologias ensaiadas.
- Foi realçada a necessidade de criação e desenvolvimento de estruturas de vulgarização e extensão orientadas para a promoção dos agricultores e a necessidade de execução de uma profunda reforma cadastral como factor condicionante da extensão do regadio e da melhor utilização da água.
- Caracterizaram-se as condições naturais do estuário do rio Tejo, excelentes para a sua utilização como grande porto da Península Ibérica. Para um aproveitamento integral das condições naturais do porto de Lisboa será, contudo, necessário realizar ainda importantes investimentos em termos de infraestruturas, com destaque especial para o desenvolvimento da contentorização.
- Foi apresentado o esquema geral de abastecimento de água a Lisboa, e a interligação das diferentes origens de água; baixo Tejo, Castelo do Bode e aquífero da península de Setúbal tendo sido referida a necessidade de concretização de estruturas intermunicipais de Saneamento Básico como forma de assegurar uma adequada gestão dos sistemas de saneamento básico.
- Foram apresentadas as características hidroeléctricas dos aproveitamentos já realizados ou que foram objecto de projecto da parte portuguesa da bacia hidrográfica do rio Tejo, tendo sido referido em particular o aproveitamento de fins múltiplos de Almourol. Foi referida a necessidade de definir, com o país vizinho, o regime de caudais do rio Tejo, para assegurar um correcto planeamento e operação dos aproveitamentos no curso principal do Tejo.
- Foi salientada a suspensão da realização de grandes albufeiras em Portugal para produção de energia, o que é necessário para dispor de uma rede de centros produtores adequada. O último aproveitamento com grande albufeira foi criado há mais de 25 anos. Este facto decorre da acutal política de planeamento de novos centros produtores da EDP, que privilegia o reforço de potência dos aproveitamentos já construídos, e a criação de centrais termoeléctricas que obrigam à importação de combustíveis.
- Obteve consenso a necessidade de realização de estudos de avaliação de impactos ambientais de aproveitamentos hidráulicos, como forma de democratização da tomada de decisões e da criação de uma chamada “consciência ambiental” destacando-se contudo a necessidade de dispor de um adequado enquadramento legal no que se refere quer à realização destes estudos quer ao processo da sua avaliação.
- Foi reconhecida a necessidade de uma renegociação dos convênios luso-espanhois relativos ao aproveitamento dos recursos hídricos, por forma a serem contemplados designadamente com os seguintes aspectos:
18.1 Introdução de factores relativos às utilizações de água, contemplando portanto os aspectos de quantidade e de qualidade.
18.2 Introdução de cláusulas que definam curvas-guias de exploração das albufeiras espanholas, designadamente em períodos de cheia, com a correspondente compensação pela parte portuguesa.
18.3 Partilha dos recursos hídricos dos troços ainda não negociados, nomeadamente o Guadiana a jusante de Pomarão. - E relevante ainda destacar a presença do Prof. Rafael Heras entre nós, que referiu a necessidade de integrar o planeamento da bacia hidrográfica do Tejo, considerando conjuntamente os interesses de Portugal e de Espanha.
- Finalmente, e uma vez mais, foi chamada a atenção para a necessidade de se criar um órgão coordenador que concite e coordene a acção de todos os sectores utilizadores da água, sem o que não é possível harmonizar as várias utilizações da água e maximizar o benefício global que se pode extrair dos recursos hídricos para o desenvolvimento do País e para a qualidade de vida do povo português.
O timing e o teor da generalidade das comunicações permitiu um adequado equacionamento dos problemas da bacia hidrográfica portuguesa do rio Tejo, e espera-se que o Simpósio estimule a tomada de decisões que colmatem lacunas e renovam deficiências.
