20-21 MAI
Água e Saúde
20 e 21 de maio de 1991
Mensagem
Mensagem
Como foi noticiado oportunamente realizou-se em Lisboa, em 20 e 21 de Maio, o Encontro mencionado em epígrafe.
O total de participantes foi de 112 (cento e doze), tendo decorrido simultaneamente uma exposição de equipamentos e produtos relacionados com o tema.
RELATO E CONCLUSÕES
Este Encontro que reuniu pela primeira vez profissionais dos vários sectores com interesses nesta temática contou também com a participação de Associações profissionais.
O encontro desenvolveu-se à volta de quatro grandes temas de debate da actualidade que se inscrevem no contexto das novas estratégias da salubridade do ambiente, no caso decorrente da salubridade da sua na sua vertente de interrelações com a saúde.
De entre os diferentes elementos do ambiente biofísico dos quais a saúde humana depende de uma forma crucial, a ÁGUA tem sido reconhecida no passado e actualmente, como de importância vital, e um elemento através do qual os factores de risco para a saúde assumem um papel de grande relevo. Neste sentido o binómio “Água e Saúde”, isto é, todas as relações existentes entre o recurso hídrico e o Homem e os efeitos directos ou indirectos na sua saúde, merece-nos uma grande prioridade nas estratégias de salubridade do ambiente.
A qualidade do ambiente em geral e da Água em particular apresentam benefícios para a saúde e qualidade de vida das populações quando a sua gestão assenta em princípios, conceitos e instrumentos estratégicos que promovam um sistema de desenvolvimento económico apoiado ou sustentado.
Estão, portanto, em causa as diversas vertentes pelas quais o recurso ÁGUA pode ser analisado.
Este Encontro Técnico,focalizou-se na observação dos aspectos institucionais, técnicos e de investigação e desenvolvimento do sector.
No que respeita aos aspectos institucionais, abordou-se a vertente da saúde pública preocupada com a promoção de ambientes saudáveis, e nestes, da qualidade da água, como forma de promoção da saúde, assim como numa perspectiva de prevenção, a importância na protecção desta qualidade que outros sectores podem e devem assumir e para a qual se torna urgente intervir de forma inter- sectorial, de modo a não haver discordâncias no objectivo último que é a saúde da vasta gama de utilizadores da água.
E se a multidisciplinaridade na abordagem dos problemas do ambiente é hoje uma realidade inquestionável, na gestão da água torna-se uma exigência de gestão, tanto a nível nacional como a níveis espaciais mais restritos.
Daqui decorre a necessidade de actuações onde concorrem os conhecimentos de diferentes especialidades, quer na área da saúde como na de outros sectores.
As especialidades com interesses ou interferência neste âmbito encerram-se obviamente numa gama muito vasta mas que se encontram ho- je como actores do recente conceito de Saúde Ambiental.
Ainda em termos institucionais e a nível nacional, o panorama actual pode caracterizar-se por acções relativamente isoladas, tendo sido reconhecida a necessidade de diálogo, a vários níveis,que possam conduzir a programas de acção comuns. Para tal interessa definir à volta de um mesmo objectivo quais as prioridades em termos de saúde a nível local, regional ou nacional e compatibilizá-las com os recursos disponíveis humanos e financeiros, tanto no sector da saúde, como nos outros sectores.
O facto positivo da existência de uma lei de qualidade da água que estabelece e impõe intervenções distintas ao nível das responsabilidades de controlo e vigilância é já um passo importante para se passar para a identificação dos principais factores de riscos para a saúde.
Para cada tipo de factor de risco, biológico, físico ou químico, as estratégias a seguir serão certamente diferentes. A epidemiologia ambiental e em especial a toxicologia ambiental devem merecer ao nível institucional uma atenção particular pela eficácia já demonstrada face aos novos riscos para a saúde que podem ser veiculados pela água.
Nos aspectos técnicos apontaram-se áreas prioritárias de preocupação: a água de consumo, distribuída ou engarrafada, as águas de recreio tanto de espaços abertos (zonas balneares) como de espaços confinados (piscinas).
Nestas áreas foram apresentadas comunicações que revelam não só algum trabalho desenvolvido em termos de efeitos na saúde como na gestão dos recursos hídricos em especial ao nível da avaliação da qualidade e da manutenção dessa qualidade.
Do debate sobré Investigação e Desenvolvimento julga-se poder concluir da escassez de investimentos nas várias áreas com intervenção na Água e em especial naquelas com responsabilidade de avaliação dos efeitos na saúde.
Numa óptica de optimização global de recursos, conclui-se que a Água deve ser gerida como um recurso positivo para a saúde e para a qualidade de vida do Homem.
Neste sentido, tornam-se necessárias estratégias globais que estimulem não só as entidades como os indivíduos, mas também os diversos tipos de organizações públicas e não públicas, no sentido da utilização de novas tecnologias ou tecnologias menos poluentes de produtos de impacto reduzido, bem como de técnicas de reciclagem e reutilização de resíduos, que tenham em consideração a redução de riscos para a saúde e o ambiente.
Os sistemas de informação, nomeadamente a recolha sistemática de indicadores de saúde e de qualidade da água, que possam potenciar, prioritáriamente, ao nível local, em escalas espaciais reduzidas, a sua eventual correla foram consideradas como de grande importância e uma nova área a desenvolver.
A toxicologia e a epidemiologia ambientais, sendo instrumentos chave da investigação em saúde ambiental, devem merecer maior atenção institucional não só na definição de estratégias sectoriais e no reforço dos recursos humanos e técnicos, como no apoio a programas de investigação interdisciplinares, de modo a esclarecer as correlações por vezes controversas existentes entre a água e os efeitos na saúde.
As comunicações apresentadas e as conclusões permitem retirar algumas orientações para a organização em 1992 do I Congresso da Água.