4-6 DEZ
O Estado da Água nos Açores
4, 5 e 6 de dezembro de 1991
Comunicações
Relato
Comunicações
- A hidroeletricidade nos Açores – os casos de S. Miguel e das Flores (PDF)
Jorge Vazquez Gonzalez - Monitorização da qualidade das águas balneares nos Açores (PDF)
Ana Rita Pereira, Paulo Machado - Caracterização hidrogeoquímica das águas subterrâneas do Maciço das Sete Cidades (São Miguel, Açores): novos dados (PDF)
R.M. Coutinho et. al. - Qualidade da água das lagoas artificiais (PDF)
Maria Adelaide Lobo - Contribuição para o conhecimento da hidrogeologia do arquipélago dos Açores (PDF)
João José Lopo Mendonça - O estado da água nos Açores (PDF)
Secretaria Regional da Agricultura e Pescas – Região Autónoma dos Açores – Instituto Regional de Ordenamento Agrário - Numa das maiores hidrópoles do mundo – 22 qualidades de águas minero medicinais classificadas (PDF)
Estação Termal das Furnas - Sistemas de abastecimento de água e de saneamento (PDF)
Duarte Manuel Cunha - Qualidade da água das Lagoas de S. Miguel. Parte 1 – Características físico-químicas e microbiológicas (PDF)
M.C.R. Santos et al. - Qualidade da água das Lagoas de S. Miguel. Parte 1 – Estudo da comunidade planctónica (PDF)
A.M.F. Rodrigues et al.
Relato
A Secretaria Regional da Habitação e Obras Públicas e a APRH, com o apoio da Direcção Regional do Ambiente e dos Serviços Municipalizados da Câmara Municipal de Ponta Delgada, promoveram de 4 a 6 de Dezembro o Encontro Técnico sobre o tema supracitado, com a finalidade de avaliar e debater as múltiplas vertentes relativas ao uso da água na Região Autónoma dos Açores.
Da Comissão Organizadora fizeram parte:
- Eduardo do Carmo Ribeiro Moura (Presidente)
- Matilde Silva
- Mário Lino Correia
- Ana Rita Pereira
- Duarte Manuel Cunha
Durante o Encontro foram tratados os seguintes temas:
Tema 1 – Água e Indústria
Tema 2 – Água e Agricultura
Tema 3 – Água e Saúde Pública
Tema 4 -Hidroelectricidade
Tema 5 -Qualidade das Águas nos Açores
Tema 6 -Água / Ambiente / Turismo
Tema 7-Redes de Aquisição de Dados Meteorológicos e Hidrológicos
Tema 8 -Águas Subterrâneas
Tema 9 -Sistema de Abastecimento de Água e Saneamento.
Do final do Encontro, transcrevem-se as Conclusões:
1 – INVESTIGAÇÃO E DESENVOLVIMENTO
É necessário proceder à investigação e caracterização de todos os postos de água existentes nas ilhas, desenvolver estudos de caracterização hidrogeológica e hidrogeoquímica dos aquíferos, controlar a qualidade e a quantidade da água bombada nos furos existentes e em novos, a executar, para se obterem elementos sobre as reservas de água doce no aquífero de base. Deve ser elaborado um cadastro dos sistemas em funcionamento e um plano de gestão (captação, investigação, pesquisa, etc.) de recursos hídricos, tendo em conta as especificidades climáticas e hidrogeológicas de cada ilha.
No planeamento da ocupação variada dos solos, agricultura, pecuária, indústria e urbanização, deve ser tido em conta o ciclo de utilização da água (necessidades, qualidade, origem, destino final).
2 – HIDROMETEOROLOGIA
A fim de se obterem dados fiáveis referentes a precipitações, escorrências, infiltrações, evaporação, etc.,para efeitos de balanço hidrológico e cálculo de reservas, é de todo o interesse conservar e desenvolver uma rede hidrometeorológica adaptada às condições topográficas, pluviométricas e geológicas das diferentes ilhas e a recolha e tratamento dos seus dados deverão ser assumidos como de grande importância e responsabilidade.
3-AGRICULTURA
As necessidades de água para a agricultura e a pecuária devem ser alvo de um estudo com base no ordenamento das zonas agrícolas, sendo necessário estabelecer limites, ilha por ilha, para a criação de pastagens, de forma a preservar as áreas de recarga de aquíferos e a qualidade química e bacteriológica das águas subterrâneas e superficiais e minimizar os efeitos da erosão hídrica.
4 – INDÚSTRIA
Revela-se necessário elaborar um estudo relacionando o planeamento industrial com os recursos hídricos.
Devem ser estabelecidas normas para a utilização e rejeição de águas pela indústria, exigindo-se a aplicação de sistemas que permitam reutilizar e re- circular a água e a depuração das suas águas residuais.
Deve ser feito um inventário e caracterização das indústrias existentes nos Açores, bem como da quantidade e da qualidade das suas necessidades e das suas rejeições em água.
5 – TERMAS
Devem ser desenvolvidas medidas de protecção às águas termais da Região, actualizados os estudos de caracterização, físico-química, bacteriológica e medicinal das mesmas e divulgados conjuntamente com as capacidades de tratamento das Estações Termais existentes.
6 – ZONAS BALNEARES
Concluíu-se pela necessidade de manter com uma certa periodicidade as análises das águas balneares, divulgando em tempo real, os seus resultados, bem como a classificação daí resultante e os parâmetros que orientam a atribuição dessa classificação.
7- LAGOAS NATURAIS
Dado o estado de adiantada eutrofização, em espe- cial, das Lagoas das Furnas e das Sete Cidades, há que tomar medidas urgentes que reduzam a afluência de nutrientes (azoto e fósforo) às águas, a fim de permitir a recuperação natural da qualidade do meio lacustre.
8 – HIDROELECTRICIDADE
A utilização dos recursos hídricos para produção de electricidade é de encorajar, sendo os projectos convenientemente adaptados às condições geotécnicas, topográficas e hidrológicas locais, minimizando as obras estruturais de captação e condução da água.
9 – QUALIDADE DAS ÁGUAS
É conveniente ter na Região pelo menos dois laboratórios de análises devidamente equipados e dotados com pessoal adequado, para responderem às exigências legislativas e ao necessário conhecimento atempado do estado das águas.
Torna-se necessário acelerar os estudos de ordenamento das orlas marítimas para se definirem locais e tipos de tratamento para as descargas de águas residuais e regulamentares as, mesmas descargas em função do meio receptor. Em face da grande permeabilidade dos terrenos, há necessidade de promover um plano de protecção das origens da água.
10 – GESTÃO DOS RECURSOS
Urge criar na Região Açores uma entidade gestora de recursos hídricos, dotada de capacidade técnica e financeira para intervir na resolução dos problemas e coordenar e gerir as utilizações da água.
Ao nível das entidades gestoras de sistemas é necessária a formação correcta de pessoal para os operar e a contabilização e facturação da água utilizada.
É importante incentivar a participação dos utilizadores no processo de formação das decisões e a adopção da filosofia utente-pagador e poluidor-pagador.